O povo tem no PCP e na CDU<br>a opção política coerente
«Hoje, mais do que em qualquer outro momento, coloca-se a urgência e actualidade da ruptura e da concretização de uma política que liberte o País simultaneamente da submissão externa e do domínio do capital monopolista», afirmou Jerónimo de Sousa, sábado, no Porto, durante o comício comemorativo dos 94 anos do PCP.
A alternativa depende da luta do povo e do reforço do Partido
O Secretário-geral do Partido, que se dirigia a uma vasta assistência de muitas centenas de entusiasmados militantes que lotaram o Pavilhão da Escola Carolina Michaelis, não tardou a apontar a solução que contribuirá para a concretização daqueles objectivos e que «assenta na força dos trabalhadores e do povo, na convergência dos democratas e patriotas e no indispensável reforço do PCP e da expressão eleitoral da CDU». Jerónimo de Sousa lembrara já que «a prosseguir este Governo de Passos e Portas, a manter-se esta política das troikas sem troika pelas mãos do PSD e do CDS ou por outras que as tomem no essencial como suas, como vemos no PS, os portugueses só podem esperar o pior».
E entre o que de pior nos pode acontecer é continuarmos agarrados a uma dívida «cada vez mais insustentável», que provoca «uma sangria em juros de mais de oito mil milhões de euros por ano, mais do que o que o País gasta no SNS e o dobro do investimento público». Dinheiro fundamental para garantir salários, pensões, apoios sociais, serviços públicos, para investir no desenvolvimento do aparelho produtivo, aproveitar os recursos do País, aumentar a produção nacional, criar emprego.
Garantindo que o povo português «não precisa de andar à procura de opções que significam novas ilusões e logo novas desilusões», o dirigente comunista realçou que ele «tem à sua frente a opção pelo PCP e pela CDU, a opção política coerente, capaz e indispensável para dar resposta aos problemas do País», a opção de quem «se guia pelos valores da verdade, da seriedade, do trabalho, da honestidade e da competência».
Jerónimo de Sousa asseverou que a campanha eleitoral que se avizinha será «baseada numa mobilização confiante, na acção de esclarecimento directo que permita dar a conhecer as soluções para o País, que vença resignações e conformismos», que reitere a viabilidade de outras «soluções e respostas para os problemas nacionais»: Há alternativa à submissão e à dependência e é possível uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, concluiu.
Luta intensa
Acção intensa ao lado dos trabalhadores e das populações marcou o último ano da Organização Regional do Porto do PCP, dando público testemunho de que os partidos «não são todos iguais», frisou Gonçalo Oliveira, membro da DORP. Numa região onde a percentagem de desemprego se eleva, na visão optimista do IEFP, aos 16,2 por cento, mas deve, na realidade, atingir as 300 mil pessoas, o que agrava aquela média, o Partido abre algumas janelas de esperança.
Gonçalo Oliveira sublinhou a presença do Partido junto dos trabalhadores de empresas «em processos de luta contra a fúria privatizadora da política de direita», como sucedeu na STCP, CP, EMEF e CTT, bem como dos pescadores e produtores de leite e dos trabalhadores da Segurança Social. O dirigente valorizou igualmente a luta travada ao lado das populações contra o encerramento de serviços públicos, o apoio dado aos moradores de bairros sociais e as iniciativas realizadas sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio entre a UE e os EUA, a renegociação da dívida, a proposta do PCP de controlo público dos sectores estratégicos, os transportes públicos e a situação internacional. «Organizámos a campanha de massas nas eleições para o Parlamento Europeu, contribuindo decisivamente para o reforço da CDU, alcançando mais 6600 votos no distrito», acrescentou.
Luís Miranda, da JCP, abordou as questões mais prementes que se colocam aos jovens e a luta por eles desenvolvida: por um ensino público de qualidade, com direitos; por uma escola democrática. Indo buscar ao PCP, e à sua história de firmeza e tenacidade, o exemplo, os militantes da JCP opõem-se com coragem às proibições, às perseguições, ao abuso de poder de alguns responsáveis pelas escolas e têm conseguido êxitos. O PCP, concluiu o jovem comunista, é a vanguarda da luta, é o «Partido do sonho».
Prioridades
No discurso que proferiu no Porto, Jerónimo de Sousa referiu-se aos que, «através de anúncios de candidatos a candidatos às presidenciais – e já lá vão 11 ou 12 – querem secundarizar a prioridade das legislativas», muito embora falte ainda um ano para as primeiras e apenas seis meses para as legislativas.
Esclarecendo a posição do Partido, o Secretário-geral garantiu que «a pressa de alguns e os projectos pessoais não são prioridade do PCP». Depois de já ter garantido que as eleições legislativas «constituem um momento da maior importância», Jerónimo de Sousa realçou que, «a seu tempo decidiremos do modo de intervir nessa batalha, tudo fazendo para que seja eleito um Presidente capaz de cumprir e fazer cumprir a Constituição».